Original PDF Flash format tragédia-passional-no-centro-de-americana-parecia-mais-uma-tarde-...  


Tragédia Passional No Centro De Americana Parecia Mais Uma Tarde ...



Limeira/SP - Ano 4, nº 12- De outubro à dezembro de 2007

Tragédia passional no centro de Americana

Rodrigo Cezarin

Parecia mais uma tarde típica de quarta-feira. Sol a pino, calorzão e aquela
correria diária nas agências bancárias. Mas algo de extraordinário estava para atrapalhar
a vida dos office-boys, clientes e usuários em geral da agência central do Banco do
Brasil, em Americana. Um vigia do banco, contratado da empresa terceirizada Albatroz,
aproveitou o horário do almoço para matar a ex-namorada e depois se suicidar.
Tudo começou por volta das 12h40, quando Rogério Carlos dos Santos, de 35
anos, acabara de voltar do almoço. Após vestir o uniforme para retornar ao trabalho, o
vigia empunhou a arma e fingiu fazer uma brincadeira com um colega que estava
terminando o turno. Logo depois, saiu pelos fundos da agência e dirigiu-se à escola de
informática na rua Major Redher – paralela à 12 –, onde Margarete Valdilaine Poletti,
32 anos, namorada que há poucos dias terminara o relacionamento com Santos,
trabalhava.
Horas após o crime, a edição online do jornal O Liberal, de Americana,
publicava que Margarete era empresária – ou seja, dona da escola. Mas a edição
impressa do próprio jornal – bem como os demais órgãos de imprensa que relataram a
história – confirmaram que a mulher era secretária-recepcionista. Segundo o perito
chefe do Instituto de Criminalística do município, Edvaldo Messias Barros, Margarete
estava atrás do balcão da escola quando foi abordada pelo vigilante. Ou seja, ele não
teve muito trabalho para encontrá-la.
Sem que a jovem tivesse chances de escapar, Santos efetuou quatro disparos à
queima-roupa com o revólver calibre 38 que usava no trabalho. Um dos tiros ele errou,
os outros três acertaram a cabeça, o peito e uma das mãos da mulher. A secretária foi
socorrida pelos bombeiros e levada ao hospital municipal de Americana, mas não
resistiu aos ferimentos e morreu minutos depois.
Rogério dos Santos voltou afoito para agência, mas até então ninguém entendia
bem o que estava acontecendo. “Ele passou em frente à loja apressado, recarregando a
arma, e eu ainda perguntei se tinha sido assalto. Ele disse que não, que não havia
acontecido nada, e continuou a andar”, contou um comerciante em entrevista à Rádio
Notícia, que disse conhecer o vigia da agência e ter se surpreendido com a atitude dele.



Limeira/SP - Ano 4, nº 12- De outubro à dezembro de 2007

Foi um crime passional. “Um funcionário do banco comentou que o rapaz se
dizia triste por ter sido deixado pela namorada”, contou o inspetor de segurança da
empresa em que o homem trabalhava, Olívio Valério Corrêa, ao Diário do Povo.
Ao retornar à agência, sem falar com ninguém, Santos se dirigiu ao banheiro de
uso exclusivo dos funcionários do banco e deu um tiro na boca. Um colega de trabalho,
desconfiado, seguiu o vigilante e quando chegou ao banheiro o encontrou
ensangüentado. “Chamei o gerente, mas ele já estava morto”, comentou a testemunha ao
Todo Dia e ao Liberal sem se identificar.
Coração partido
Considerado pelos colegas uma pessoa tranqüila, Santos parecia não ter muita
sorte no amor. Casado por duas vezes e pai de dois filhos, ele tentava, na semana
anterior ao crime, se reconciliar com Margarete, a quem namorava há cerca de dois
anos. No entanto, a mulher estava decidida a terminar a relação, alegando não suportar o
ciúme doentio do companheiro. Ela havia registrado um boletim de ocorrência contra o
vigia no Plantão Policial de Americana, relatando que ele vinha a ameaçando caso
terminasse o romance. Mas a polícia pouco pôde fazer para evitar a tragédia.
Segundo o delegado do 1º Distrito Policial, Claudiney Albino Xavier, o crime
foi premeditado. Para ele, o vigia deixou a agência com a intenção de matar a secretária.
“Se ele não tivesse se suicidado, teria o álibi de estar trabalhando no momento do crime,
porque nenhum funcionário percebeu a ausência dele, que não durou mais que alguns
minutos”, enfatizou o delegado ao Todo Dia. No entanto, o remorso do criminoso foi
maior.
A Assessoria de Imprensa do Banco do Brasil informou que a direção da agência
não iria se manifestar sobre o ocorrido, por tratar-se de um “assunto particular”.
Momentos depois do crime, o atendimento ao público foi normalizado e a cenário
agitado do centro de Americana voltou a ser apenas de consumidores e veículos.
A vida volta ao normal. As pessoas se esquecem. A imprensa relata o fato, mas
não conta a história. Como diria Chico Buarque, “ninguém notou, ninguém morou na
dor que era o seu mal. A dor da gente não sai no jornal”.