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Em Busca De Ventos Especiais

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Em busca de
ventos especiais
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Projetado para deficientes físicos, veleiro Poli 19 alia segurança, tecnologia
e conforto, facilitando a vida de muitos apaixonados pelo esporte à vela
Por Fábio Torres
mais do que especiais. Quem o vê de longe, deslizando
ao sabor dos ventos que sopram na represa de Guara-
piranga, em São Paulo, nem imagina que o veleiro Poli
19 traz características muito peculiares. Projetado pelo
Departamento de Engenharia Naval da Escola Politécnica
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A frase do general romano Pompeu, imortalizada
pelo poeta e escritor português Fernando Pes-
soa, decretava que “navegar é preciso, viver não
da Universidade de São Paulo (USP), o barco para até três

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é preciso”. Para muitos, no entanto, viver de maneira
tripulantes apresenta configuração inédita, totalmente
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completa é, justamente, estar no mar, quer seja nave-
adaptada às necessidades de velejadores com certos tipos
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gando, nadando, ou mesmo velejando. Por isso a FINEP
de deficiência física, como a paraplegia.
decidiu investir em um projeto voltado para velejadores
A proposta do Poli 19 partiu do coordenador de Vela
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Os professores
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Alexandre Simos e
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André Fujarra, da USP,
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no Poli 19, na represa de
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Guarapiranga
Paraolímpica da Federação de Vela do Estado de São Paulo
classe três pessoas, simulando o sofisticado equipamento
(Fevesp), Renato Valentin, com o objetivo de treinar a
já difundido em todo o globo.
equipe brasileira para as Paraolimpíadas de Pequim. Até
“O veleiro paraolímpico é um barco inglês, o Sonar,
2008, os atletas deficientes velejavam em barcos comuns
de 23 pés, que tem um valor médio de US$ 40 mil. Este
para duas pessoas, como os Day Sailers, de 16 pés, não
alto preço, associado aos naturais custos de importação,
ajustados às suas condições físicas particulares, nem às
limita a aquisição de novos barcos”, explica o profes-
regras oficiais do Comitê Paraolímpico Internacional.
sor da Poli, Alexandre Nicolaos Simos, que orientou o
No total, são duas as categorias de competições: veleiro
projeto na companhia do também professor André Luis
individual e veleiro para três pessoas. O Poli 19 atende à
Fujarra. “Completo, com todos os recursos desejáveis,
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Cockpit amplo
Popa aberta e
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plataforma
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nosso veleiro apresenta um custo de apenas R$ 25
e conforto, nenhum velejador está livre de cair no mar.
mil, o que já despertou propostas para a construção
Pensando nisso, a facilidade de acesso ao cockpit é ou-
de novos”, salienta Fujarra. O principal diferencial do
tra característica do projeto desenvolvido pela equipe
barco reside no design e tecnologia empregados, que
dos professores Alexandre e André. “Criamos um barco
aliam conforto, mobilidade e segurança. Construído em
de popa aberta, ou seja, vazado em sua parte traseira.
fibra-de-vidro, tudo no barco foi pensado para que os
Não se pode perder tempo durante o resgate de uma
velejadores não tenham outra preocupação, a não ser
pessoa com deficiência. Além disso, o rápido trânsito de
os bons ventos que conduzirão o novo xodó das águas
embarque e desembarque também é garantido neste
de Guarapiranga.
modelo”, conta Fujarra.
Quilha retrátil facilita transporte e ajuda
Chamada pública para inclusão de
na estabilidade do barco
portadores de deficiência e idosos
O Poli 19 apresenta ergonomia nos assentos e am-
Ao todo, a FINEP investiu R$ 102.338,86 no veleiro,
plo cockpit, facilitando o emprego das mais variadas
quantia que cobriu o molde, protótipo completo – cons-
adaptações de mobilidade, usualmente utilizadas em
truído no estaleiro Craftec – equipamentos e custo de
competições paraolímpicas. Além disso, o seu arranjo
transporte. O projeto foi aprovado na chamada pública
de convés proporciona comandos sempre à mão, com
MCT/FINEP/Ação Transversal – Tecnologias Assistivas, do
boa parte do cabeamento disposta internamente. Outra
ano de 2005, com recursos provenientes do Fundo Setorial
novidade é a perfeita compatibilidade com o transporte
de Saúde (CT-Saúde) e do Fundo Setorial de Biotecnologia
rodoviário, já que possui quilha (extremidade localizada
(CT-Biotecnologia). Foram R$ 4 milhões dividos entre 25
no casco no navio) retrátil, mecanismo acionado por meio
propostas que visavam ao apoio financeiro para projetos
de uma manivela. Inovador, este recurso já se encontra em
de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias que redu-
processo de patente.
zam ou eliminem limitações em decorrência de deficiências
“A maioria dos mecanismos com quilha funciona por
físicas, mentais, visuais e/ou auditivas.
meio de cabos, o que torna o manuseio perigoso, princi-
O objetivo geral da chamada pública era aliar o insumo
palmente para velejadores com ausência ou dificuldades
Ciência, Tecnologia & Inovação à perspectiva de inclusão
nas mãos, braços, pés e pernas”, observa Simos. Dotada de
social de deficientes e idosos pretendida pelo Governo
um bulbo de chumbo que pesa 260 quilos em sua ponta,
Federal, característica que o Poli 19 traz embutida. Muito
a quilha é a responsável pela segurança e estabilidade
além de um veleiro para atletas especiais, ele traz a missão
do Poli 19, impedindo o tombamento mesmo nas marés
de inspirar novos velejadores a superarem os próprios me-
mais adversas. O veleiro pode inclinar até 136º (limite de
dos e limites. “É um barco veloz e seguro que vai preparar
estabilidade estática) – ou seja, praticamente, virar de
os nossos atletas para grandes competições, mas, devido
cabeça para baixo – que o bulbo se encarregará de colocar
ao baixo custo, facilidade e bom desempenho, tem tudo
a embarcação em sua posição original.
para também promover a integração social entre pessoas,
Apesar desta extrema preocupação com a segurança
famílias e amigos”, finaliza Simos. n
Assinatura
Primeiro parágrafo.



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Segundo parágrafo.

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Mecanismo de
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Facilidade para
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içamento de

adaptação de
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quilha
mobilidade
Entretitulo
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