Texto ExtraÃdo Da Revista Info Corporate Entrevista ANA LÃCIA ...
Texto extraído da revista info Corporate entrevista ANA LÚCIA MOURA FÉ
Na Tigre, o desafio ainda está no prazo
Quando a fabricante de tubos e conexões Tigre iniciou, em 1999, a implementação
do seu sistema integrado de gestão, a equipe de tecnologia tinha em mãos um
plano que estabelecia 18 meses para terminar a empreitada. Dois anos depois, em
2001, a empresa pôde finalmente comemorar a conclusão do projeto de ERP, se é
que se pode comemorar um projeto que estourou o prazo em mais de seis meses e,
para piorar, custou à empresa cerca de 50% a mais do que havia sido previsto no
plano inicial.
O CIO da Tigre, Gelásio Robson Schlup, afirma que esse foi um dos projetos mais
desafiantes para a equipe de TI. Apesar do atraso, Schlup prefere enxergar o lado
bom e construtivo da experiência.
"Foi difícil, mas a prova de que se aprende muito com os erros é que, desde 2002,
a Tigre conseguiu reduzir para zero os estouros nos orçamentos", afirma Schlup.O
cumprimento dos prazos, entretanto, continua sendo um desafio para a equipe de
TI, embora os atrasos tenham diminuído, segundo ele, tanto em freqüência quanto
em duração.
A lista de lições aprendidas com o projeto de ERP é extensa, mas, entre as mais
importantes, Schlup destaca duas: a adoção de preços fixos e uma fase mais longa
de planejamento, não importa o tamanho da pressão que a TI eventualmente
venha a sofrer. Até então, tanto o tempo quanto o custo dos projetos eram apenas
estimados e os desembolsos eram feitos mensalmente."Bastava uma má definição
de escopo para que esses valores não se confirmassem.
Hoje, definimos previamente com fornecedores parceiros um valor fixo, com
desembolsos atrelados a fases importantes do projeto. Ficou muito mais fácil o
controle", diz Schlup.
Fechar o projeto também trouxe conseqüências benéficas e imediatas. Como o
valor acordado não varia, cresce o empenho do parceiro em aprofundar e
dimensionar tudo, com o máximo de precisão possível."Ele não pode errar. Tem de
se antecipar a qualquer surpresa, para o seu próprio bem. Se propuser um valor
muito alto, corre o risco de não fecharmos negócio. Se estabelecer custo muito
baixo, pode ter de gastar mais do que pensava, tendo de arcar com o prejuízo", diz
Schlup. Daí a importância de um planejamento mais extenso. Nesse período pode
surgir algum fato novo que justifique redimensionar o escopo e o preço.
A equipe de tecnologia da Tigre pôde comprovar o aprendizado no upgrade de
versão do ERP. "Passamos seis meses apenas definindo o escopo de planejamento
de demanda para o projeto. Dessa vez, tudo correu bem. Cumprimos o prazo e o
orçamento", diz Schlup. A área de TI da Tigre é constituída de 29 especialistas com
perfil de analista de negócios. Eles estão por trás de um parque instalado composto
por cerca de 1 000 máquinas, entre micros, notebooks e servidores. Essa infra-
estrutura sustenta um negócio de 1,7 bilhão de reais em faturamento anual e
absorve investimentos equivalentes a 0,95% da receita bruta. Entre as ações para
motivar e engajar a equipe na busca por uma TI sem atrasos, o CIO divide com
eles a gerência de cada projeto."Eles absorvem a tecnologia e participam como co-
gerentes, enquanto eu assumo a função de gerente", afirma Schlup.
O que a Tigre recomenda
• Nunca dê as costas para os erros. Eles são fonte de aprendizado
• Adote preços fixos no lugar de desembolsos mensais
• Agüente a pressão e não abra mão de um planejamento detalhado, mesmo que
demore mais que o esperado
• Se surgir uma demanda nova, redimensione o escopo e o preço apenas para essa
alteração no projeto
• Divida com a equipe a gerência dos projetos
Atendimento com qualidade
Depois da implementação do projeto, a grande preocupação de Schlup e equipe é
verificar se os bons resultados não ocorrem em detrimento da qualidade do
atendimento ao cliente. "Só consideramos que o projeto foi um sucesso quando nos
certificamos de que a qualidade do atendimento não foi afetada. De nada adianta
cumprir à risca orçamentos e prazos e obter ganhos financeiros, se lá na ponta o
cliente é penalizado", diz Schlup.
Texto extraído da revista info Corporate entrevista ANA LÚCIA MOURA FÉ