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Despedido Ao Denunciar Pedofilia

Emigração
Despedido ao denunciar pedofilia

Emigrante português na Suíça foi afastado da rádio onde trabalhava

Esta semana, Resende iniciou protestos na rua contra o despedimento de que foi alvo
Quando viu as fotos de pedofilia no computador do subdirector da Rádio Suisse Romande, Jorge Resende nem queria
acreditar. Tentou denunciar o caso, mas foi ameaçado de despedimento. Ao fim de algum tempo, e depois de uma festa
de Natal da empresa com os filhos e filhas dos funcionários, não aguentou mais. Agora, o emigrante português está
sem emprego, a manifestar-se nas ruas de Lausanne e a clamar por justiça.
Esta semana, o informático iniciou uma acção de protesto diante do prédio da emissora suíça, em Lausanne, com o
apoio de funcionários e a simpatia da população.
Caso não consiga a reintegração profissional, Resende prevê transformar o protesto numa greve de fome, devendo
passar uma semana em Portugal em Junho para divulgar à comunicação social a sua causa. O director da rádio
responsável pelas fotos teve apenas com uma advertência e uma licença para tratamento psiquiátrico.
A forma como o assunto foi tratado mereceu a atenção da justiça Suíça. Um juiz está a avaliar as fotografias e o
material informático em causa. Ao mesmo tempo, também o comportamento da rádio onde Resende trabalhava tem
sido posto em causa. Além das represálias sobre o funcionário, a direcção da rádio entregou a gestão do assunto a uma
agência de comunicação que pôs em marcha uma campanha mediática na tentativa de desacreditar Jorge Resende.
Sob o pseudónimo de Goldorak, um elemento dessa agência de comunicação inundou o «site» de apoio a Resende
com declarações insultuosas.
O caso rebentou e a rádio foi obrigada a romper o contrato com a agência de comunicação.
Ex-oficial do Exército da Salvação, quando pregava e fazia “a panela do pobre ferver” na ajuda aos desfavorecidos da
periferia de Lisboa, Resende não desculpa a direcção da Rádio Suisse Romande por ter “encoberto e protegido” o
subdirector de programas, detentor no ficheiro da rádio de fotos de pedofilia, carregadas directamente de uma máquina
fotográfica digital.
Jorge Resende vive há 16 anos na Suíça e era o administrador de sistemas da rede de computadores daquela estação
de rádio. Foi no exercício dessa função que descobriu, por acaso, vestígios das fotos entretanto apagadas, que o

levaram a um arquivo de 336 com meninas dos 8 aos 16 anos.
Depois de informar o seu superior hierárquico, Jorge Resende foi informado de que estava proibido de revelar e
comentar a descoberta com os seus colegas, sob pena de demissão imediata da estação. Guardou segredo por algum
tempo, mas decidiu contar tudo ao responsável pelos recursos humanos da rádio. “Tomei essa decisão no Natal,
quando vi os membros da direcção da distribuírem brinquedos aos filhos e filhas dos empregados. Na altura pensei se
não estariam ali algumas das crianças que tinha visto nas fotos”, diz.
A demissão foi imediata, sob alegação de quebra da confiança da rádio no seu empregado.
Entretanto, os argumentos do director da RSR, não convenceram os colegas de Resende, na grande maioria pais e
mães revoltados por o alegado pedófilo não ter sido demitido e nem sequer denunciado à polícia.
Pai de três filhas, Jorge Resende foi obrigado, no começo do mês, a recorrer à assistência social para poder pagar o
aluguer do seu apartamento.
Rui Martins, correspondente na Suíça
Tribunais decidem o caso
O caso das fotos pedófilas na Radio Suisse Romande veio a público no fim de Fevereiro e logo ocupou espaço nos
jornais, rádios e televisão suíços. Actualmente, tem duas vertentes: uma, judicial, visa avaliar a veracidade das
fotografias apreendidas, o seu carácter pedófilo e a responsabilidade do subdirector da rádio; outra, administrativa, visa
averiguar a possibilidade de ter existido despedimento sem justa causa.